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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Misteriosa Arca do Morto - Capítulo Um

Ao atracarem em Port Royal, Annette e Vasseur Legrand descobrem a existência de uma antiga arca que esconde tesouros inimagináveis. Contudo, para conseguir alcançá-la, será necessário arriscar a própria vida e colocar à prova o peso da sua coragem, sobretudo quando outras pessoas se mostram interessadas na tão desejada fortuna...
Um conto repleto de aventuras, piratas assustadores e grandes reviravoltas!


Jamaica, 1669

Naquele fim de tarde, quando a Rainha Vermelha arriou todas as velas e aportou em Port Royal, os piratas desembarcaram e se separaram na praia. A viagem não foi muito boa. Parte dos homens enfrentou um intenso motim por causa de uma série de ratazanas intrusas, e outros simplesmente se lançaram ao mar, condicionados a nadarem sofregamente em busca de terra firme, à custa da própria sorte.
Sabe lá Deus qual foi o destino deles...
Mortos de fome, Annette e Vasseur Legrand trocaram um olhar sofrido e seguiram os passos de Rinaldo, o contramestre da Rainha Vermelha, até alcançarem os primeiros casebres situados além da enseada.

— A ideia foi muito boa. — Cochichou a irmã, cínica.

— Obrigado. — Respondeu Vasseur, no mesmo tom vexatório. — Deu muito trabalho para amontoar os ratos, sabia?

— Você é tão bom no que faz, irmãozinho!

— Meus braços fedem.

— Você logo se acostuma...

— E estão cheios de mordida!

— Convenhamos... Uma mordidinha não faz mal a ninguém.

O contramestre amenizou os passos, fazendo com que os irmãos Legrand parassem. Alçou uma das mãos, pediu silêncio e observou a copa de árvores além das casas. Após isso, olhou com um ar interrogativo para a dupla, e articulou:

— O capitão ordenou que eu os acompanhasse apenas até aqui.

— Isso significa que...

— Sim! Estão livres para fazer o que quiserem, contanto que estejam preparados para honrar a barganha! Desse modo, só me resta dizer o seguinte...

— Sabemos disso, e chega de conversa fiada, Rinaldo. — Cortou Annette, insípida. — Diga ao seu capitão que jamais soubemos da existência de um homem chamado Adrian, e que a Rainha Vermelha nada mais é do que uma lenda inventada pelos mortos de fome da fraternidade da costa...

Semicerrando os velhos olhos, Rinaldo assentiu e deu a volta no terreno, afastando-se rapidamente dos piratas.

Vasseur e Annette cruzaram os braços, vendo-o a desaparecer no mar.

— Acha que ele desconfia do plano?

O irmão bufou.

— De jeito nenhum. Mas aposto que se tivesse cem por cento de certeza, ainda assim, ele nos acobertaria. Aqueles desgraçados conspiravam contra nós. São merecedores do castigo imposto a eles!
Embora Rinaldo fosse um abrutalhado lobo do mar, deveriam reconhecer que nos últimos dias ele havia sido um dos poucos a lhes estender a mão. Sabiam que no selvagem mundo dos piratas, encontrar aliados era o mesmo que se deparar com arcas de ouro varadas na areia da praia. Isso levou-lhes a se recordar de tio Martinez, o mais imponente Capitão que já conheceram. Ele devia encontrá-los em um velho ancoradouro do porto na semana seguinte, mas como levaria tempo, Vasseur e Annette pensaram no assunto e resolveram anteceder o seu encontro com outro aliado de guerra, um sujeitinho encachaçado chamado Simon.
Vasseur, apesar de exercer a função que tanto se orgulhava, dotava de uma boa aparência e carregava no corpo firme uma série de tatuagens africanas. Seus braços, libertos sob o colete encardido, eram repletos de curiosas insígnias.
Annette portava os mesmos olhos vivos do irmão – ainda que os dele tendessem mais para o verde – e por baixo do espartilho chanfrado e do velho calção de couro armado, escondia um primoroso corpo de mulher. Ela gostava de vestidos e dos demais itens que qualquer mulher usaria em seu lugar, mas preferiu optar pelo calção, em virtude da sua popularidade, que crescia gradativamente. Poucos sabiam a seu respeito, mas na fraternidade da costa, ela ficou conhecida como a "Domadora de Sabres" por lutar igualmente a um exímio esgrimista da frota real.
Juntos, atravessaram o pequeno talude que limitava a praia, e seguiram na direção dos primeirosbarracos, enquanto homens, brandindo em versejes soltos e predominantes, se lançavam nas águas do mar, flechados pela curiosidade de testemunhar a chegada do galeão.

O que a noite lhes reservava?

Annette e Vasseur logo iriam descobrir.

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